quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cara de Psicóloga

Eu acho que tenho uma cara de quem ouve, consola, é incrível...

Hoje eu estava indo pro inglês a pé, o que significa ir da Brigadeiro até a Haddok Lobo. Eram 6 e 30 da tarde, horário de pico, todos na Paulista andando descontroladamente e descompassadamente em busca de suas casas para o conforto de acabar mais um dia de trabalho. E lá estava eu, andando, na pressa de Jah, quando um daqueles panos de hippies, cheios de brincos me chamou a atenção.

Como eu estava ligeiramente atrasada, e um cara muito mala e feio ficava me xavecando a cada farol que parávamos, decidi olhar e andar ao mesmo tempo. O hippie percebeu, me chamou, e eu continuei andando. Claro, eu não sou nenhum Sandy em tamanho e nenhuma equilibrista, e quando eu percebi estava praticamente do outro lado da calçada esbarrando numa mulher de blusa vermelha com muita pressa.

Eu andei na mesma velocidade e pedi desculpas.. "Eu estava olhando os brincos e perdi a noção, desculpa"..Ela falou que essa hora isso era normal e pra quem estava atrasada como ela nem tinha mais peso. E aí foi andando do meu lado. Me contou que estava fazendo curso de enfermagem, técnico, e que trabalhava cuidando de uma senhora de 98 horas, vegetativa, 12 horas por dia, não podia cochilar, piscar, ver televisão. Que a sobrinha (víbora da história) ficava enchendo o saco dela, que era um porre, e que pobre era tudo assim. Ao invés de deixar a pobre senhora descansar fica enchendo o saco, querendo que todas as enfermeiras do mundo fiquem olhando a mulher vegetar.

Disse que a sobrinha falou que ela deveria manter APENAS os olhos na velha, ou seja, nem trocar uma idéia com alguém que com certeza ouviria tudo sem interromper, ela podia.

Ainda me contou que preferia mil vezes cuidar de morto do que de vivo. Já tentou fazer prova pro IML, já tentou funerárias, mas nada, só esses trabalhos chatos. E que por ela os mortos seriam muito mais interessantes. Preferia entubar um morto e soltar todos os gases fedorentos do que ficar sentada numa cadeira, à meia luz (porque a sobrinha acha que luz incomoda a velha), sem poder fazer xixi....

Quando chegávamos na Haddok Lobo, (isso porque a encontrei entre Brigadeiro e Trianon), pensei que me livraria dela, sutilmente...Mas não, descemos juntas. Enfim cheguei no meu inglês, ela se despediu correndo e continuou confabulando sobre mortos..

Essa não é a primeira, nem a quinta vez que isso acontece. Várias pessoas que sentam ao meu lado, estão na fila, na rua, enfim, que começam a conversar, não param..

Devia largar jornalismo!!

3 comentários:

Braz disse...

Olha Sra, vou te dizer: Eu to com uma prima minha doente lá em casa que,nossa, ela tá muito fraquinha. a mãe dela mandou ela de Três Corações pra vir se tratar aqui, sabe que a mãe dela já teve acer ese curou minina, nossabenza Deus viu, ea tem mais 6 fihos, um também está doente, mora num leprosário lá perto de Barragem Santa Helena, conhece? Ali pra cima de Monte Silvino, depois da estrada do Calvário você etra por uma estradinha de terra pra cortar alí por dentr de Padre Amancio, aqela cidade que tem famade vender doce deleite de cabra, então, aí ela mora lá em Minas, e Três Coações e a filha... e assim vai!

Heloisa Moraes disse...

essas pessoas me irritam!
teve um cara, "o cara da ponte orca", é como o chamo. o cara veio todo de gostosão, pedindo perdão por dizer que é difícil encontrar alguém que leia isabel allende, e que estudou na usp, e que nao sabe o caminiho pro trabalho novo, e que isso, e que aquilo... demorou MUITO tempo pro cara se tocar que eu não queria mais ou vir a voz dele meu!
que malaaa
ahuahuaha

pronto, griteiedesabafei

Simone Francêz disse...

Oieeeeeeeee ...gritei ..rsrs
Sempre passo e não comento ..adoro te ler rsrs...

E haja inspiração ...fico uns diazinhos sem ler e já tem um monte de coisas novas e interessantes por aqui. Mas enfim cheguei no último post.

Beijos, e agora vc tem leitora bambi ..hehehe